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Soneto 1 - 2020 - dellacoelho - 20Set2020 15:48:08
Suplico ao Lácio que esta angústia

consiga a pena eternizá-la,

purificando o vurmo que a exala,

volvendo à cura infeliz moléstia.



Senhor Tempo caminha sem modéstia,

falseando que a brandura a embala

a esconder a sombra que a apunhá-la,

escurecendo os raios de uma réstia.



Resta então clamar à Luz Divina

que a banhe nas águas cristalinas

livrando-a enfim de cruel tormento.



Peço ainda, nos dias maus, a esta menina

FÉ... em sua tênue vida peregrina

até que seu suar se esvaia com o vento.



Della Coelho

Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=353087

"(just-like:)Ragnarok," - Hv|s - 20Set2020 15:48:08

"Com estas flores pensava, doce donzela , adornar teu leito nupcial e não espalhá-las sobre tua sepultura."


(Hamlet) Cena I, Ato V
















Ei, Valhala.. a portões incertos de contar
A linhos de batalhas inteiras em te nomear
Por indecisão ao arbitiro devastado
Em pele de verter o ensaio ao contrário

Da pilhéria em consumo relapso, ora vil
Da matéria que não te peca o que serviu
Todo o inferno de te perdurar ao extremo
Sem cartas insanas ou hábitos terrenos

Ah, eu.. que tanto te faria, a limbo voraz
Por condenação exaustiva, métrica da paz
Ou versos alheios, tão cheios quanto o corpo

Da metade por desejo velado e mais um pouco
Ah, obra de mim.. eu derrubo a janela que te diz
Ao ponto do fogo consorte da rima que não fiz



-

Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=353086

Acreditar é ter fé
Rezar é bom, rezar é preciso!
Senhor aumenta a minha fé porque eu amo-te senhor
Hoje vamos rezar e estender as nossas
Mãos por todas as famílias, quando vemos
O olhar triste de uma criança
Que tem fome que vive na miséria
Uma mãe que chora, um pai que corre contra o tempo
Para alimentar a sua família, antes que seja tarde demais
Sem emprego, sem nada, deixaram de acreditar
Eles deixaram de ter esperança, para a sua família
Quantos projectos começaram e não terminaram?
Quantas vezes disseram que desta vez ia ser diferente e não foi
A atitude positiva pode levar-nos longe e tornar tudo possível
Nascemos para viver bem e ser felizes
Para estarmos atentos a todas as oportunidades
Os nossos sonhos são convites para irmos
À luta sempre até ao final da meta
Temos de ter fé na nossas capacidades e realizá-las
Facilitará a vida de toda a família
Os passos que dermos são necessários
Para sermos abençoados, com dádivas
Que nos permitem aumentar as nossas capacidades
Podemos estar tristes hoje
Mas o amanhã poderá dar-nos grandes vitórias
Após uma tempestade o sol brilha sempre
Quanto maior for a sua luta, maior é a vitória que o Senhor
Tem preparado para todas as famílias
Entregamos os nossos propósitos a Ti
Para que tudo se realize conforme a Tua vontade
Desistir? Nunca! Retroceder? Jamais!
Abençoa todas as famílias
Para que possam ter o pão nosso de cada dia
Pois acreditar é ter fé, ter esperança é acreditar.
Ter fé é rezar
é acreditar com amor
?

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=353085

ILUSÃO - Jairo Nunes Bezerra - 20Set2020 15:48:08
ILUSÃO
(Jairo Nunes Bezerra)

Não foi sonho... Estavas na minha proximidade,
E velejando fitavas-me embevecida...
Eras da natureza a presencial acuidade,
Ativando a minha negritude imagem obscurecida!

Quisera ter-te apaixonada em meus braços,
Satisfazendo-te em teus ardentes desejos...
Logo partistes ligeira deixando-me sem afagos,
Distanciado de teus anseios!

E a saudade veemente ocupou espaço maior,
E sem a tua presença a cama ficou deveras menor,
Aguardando o teu regresso!

E disso esperançoso vou ficando angustiado,
Pelo evento frustrado,
Distanciado de terno e esperado progresso!









Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=353084

O amor da sabedoria foi e é um grande amor.
Esta paixão revelou-se, para mim, o melhor antídoto contra outras paixões.
Fosse por questões de senso, de nexo, de coerência, de sentido, de valor, de entendimento e de harmonia com quem me rodeava, a forma de haver entendimento e harmonia com a catequista, o padre, as beatas e as professoras, era reproduzir de cor e salteado o que eles mandavam.
Havia outras pessoas, analfabetas (de escrever, ler e contar), que me transmitiam a noção empírica de que todo aquele teatro, à volta de uma escola e de uma igreja e, lá mais em cima, na sede do concelho, o tribunal, o quartel e a esquadra da GNR, era de tal modo simbólico e cifrado, para não dizer enigmático, que tinha mais pena deles, com as suas plumas e vestes ritualizadas, quando não cheios de jactância na hierarquia das procissões coroadas de interminável e poderoso foguetório, do que dos pedreiros cobertos de pó, a tossicar na taberna, vítimas da silicose e do cancro do pulmão pela sílica, enquanto os filhos deles, que eram meus colegas de catequese e de escola, passavam fome e aprendiam a agradecer a Deus a sorte que tinham.
As minhas dores e as minhas raivas e as minhas frustrações, por mim e pelos outros (familiares, amigos?) encontravam eco no conforto religioso das pessoas ignorantes que me rodeavam, em casa, na aldeia, na catequese diária, fosse da escola fosse da catequista, ou no castigo de algumas dessas pessoas que exerciam a autoridade, com violência, sem necessidade de a justificarem, fazendo recair sobre mim, criança, jovem, adulto, o ónus de justificar a minha conduta.
Quando entrei na fase de saber que o mundo não tinha começado quando nasci e que não era apenas o meu quintal, a minha aldeia, paróquia, professora, e que havia uma cidade, e médicos e farmácias e hospitais e depois, outra e outra e oceanos e filmes, tudo era mais difícil de conciliar, mas o amor da sabedoria, impaciente, tantas vezes cruel e ingrato, foi-se mostrando vantajoso como uma arma de defesa pessoal, ou de defesa geral, numa guerra.
A todas as tentativas, mais ou menos reais, mais ou menos disfarçadas de ordem, ou simplesmente perpetradas, de me conduzirem, ou subjugarem, ou ignorarem, ou desprezarem, eu aprendi a perceber que a razão é a arma dos fracos e que a sabedoria é como um grande exército de razões.
Esta consciência, resultante de muito pensamento construído sobre o pensamento e as ideias de tantos filósofos e pensadores e escritores, permitia-me colocar um médico, ou um juiz, ou um engenheiro, no seu lugar profissional, do mesmo modo que a mineralogia, a zoologia, a botânica, a química, estavam nos compêndios respectivos.
A minha passagem pelas ciências, numa altura em que o país fervilhava por todo o lado e todo o tempo era pouco para nós, jovens à procura de saber quem tem razão, mostrou-me que a vida, a acção, a dinâmica, os desafios, os combates, a adrenalina, não estavam numa bancada de minerais, ou num laboratório de química, ou na exploração e conhecimento da flora.
O carácter de urgência de certas situações, altera as prioridades.
Havendo prioridades a considerar na construção de um currículo académico, ou de um plano de formação profissional, estas têm mais a ver com questões de ordem técnica e prática, funcional, do que com razões de ordem teórica ou filosófica.
Está fora de questão que um estudante, qualquer que seja a função ou a profissão que venha a desempenhar, só por ser estudante deva estudar tudo o que há para saber sobre todos os domínios.
Outra questão será: estará em melhores condições para abordar clinicamente um humano, do ponto de vista das medicinas, um médico robot, que só sabe de medicina (isto é possível?-esta era a provocação de Abel Salazar), ou um médico humano?
Para não me alongar, e deixando implícito muito do que poderia explicitar, não acredito que um robot possa filosofar. Que, tomando a realidade (que equivale ao que conhece) possa definir o ser tendo em consideração: o ser como um poder ser que foi /um dever ser (pelo menos quando falamos de ética) que é, e como ele, robot, quer ou deseja que seja?
Mas o médico, enquanto homem, é um filósofo que vive integrado num sistema de acção e de pensamento e de valores que, em grande parte, já assimilou o que os sistemas de cultura assimilaram ao longo da história. Este sistema de pensamento e de acção é um sistema de linguagens e de lógicas, nomeadamente matemática, cujo domínio varia muito de pessoa para pessoa e de robot para robot.
Não acredito que os robots decidam com base em valorações próprias, que não sejam programadas por humanos, mas os médicos fazem-no.
Neste capítulo, por ex., se é indiferente para o mundo que uma pessoa viva ou morra, já quanto à vantagem política e económica na sua sobrevivência, ainda que enfermo, ou na sua morte, os médicos e a indústria farmacológica e as tecnologias da saúde e todas as profissões que dependem do tratamento das pessoas, tanto ou mais do que os direitos fundamentais do homem e do cidadão, são um baluarte e uma fortaleza, cujos interesses, quando mais não sejam, de facto, garantem o respeito pela saúde e pelas vidas, por mais inúteis ou absurdas que sejam do ponto de vista de qualquer filosofia, religião, ideologia ou sistema de valores.

Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=353079

Peão - João Marino Delize - 20Set2020 15:48:08

Peão

Do gaúcho peão é que eu falo
Trabalhava e tinha muita fé
Mas se quer lhe davam cavalo
Por isso andava sempre a pé

Trabalhavam pra fazer o charque
Nas sesmarias que lhe tomaram
Aprenderam depressa essa arte
Sem estudos quase fracassaram

Mas aí veio uma grande guerra
Entre os donos daquela terra
Deram a ele de novo o cavalo

Foi chamada Guerra dos Farrapos
Os gaúchos, verdadeiros guapos
Na missão também houve pialo.

jmd/Maringá, 19.09.20

Obs.: O nome peão veio do gaúcho que trabalhava a pé (sem cavalo).



Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=353078

Vou por aí - sisnando - 20Set2020 15:48:08
Vou por aí á procura
De uma emoção ou sentimento
Que me liberte desta loucura
Tão sólida como o cimento

E desço a rua da amargura
Procuro outra cor que não o cinzento
E lá entro numa carruagem segura
Vou ao encontro do outro jumento

Não o encontro, mas a vista é menos escura
É mais ampla e a gente tem um outro comportamento
Dá a sensação de a competição ser menos dura

Vive-se o dia-a-dia com um outro alento
E sim a amizade essa perdura
Não é mais um artificial momento!!!



Bruxelas 30/03/2012

Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=353077

Morte do Pantanal - AjAraujo - 20Set2020 15:48:08

Brasil de mo(r)tes,
de fases e frases,
de crises e crases,
contrastes e trastes
de males e Salles,
lobbies e espécies
Terra de pantanal
incêndio abissal
destruição colossal
inferno zodiacal?
fogueira medieval
- sem canto madrigal -
morrer efeito colateral
país sem rumo
se lança no abismo
flerta com fascismo
se o boi vai pro matadouro
o povo? penhoro ou ignoro...

AjAraujo, poeta destroçado com o incêndio avassalador e destruidos de espécias no Pantanal de Mato Grosso do Sul.

Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=353076

o Outro - Jorge/Joel - 20Set2020 15:48:08





Na parede d?alguém
Escrevi, ? eu existo ?
Na parede da frente
Alguém mais abaixo,

escreveu:

-?Embora Zé, sem visto
Eu ninguém sou, nem
Aqui nem lá donde
Vim e prond?me vou,

Nem o Cristo me visita,
Ou o outro indiferente,
Ostentando o crucifixo
Torto?





Jorge santos (02/2017)








https://namastibet.wordpress.com
http://namastibetpoems.blogspot.com







Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=353075

Bizarro - Jorge/Joel - 20Set2020 15:48:08




Uma bizarra noção, a da palavra dita,
Pronuncia-se e acabou, se a escrevo
Se fixa, se vale ou não, depende do
Compositor e não da validade oportuna

E do espécime, mas bizarras, quanto
Mais melhor e belas, as ditas por nós
E os silêncios pelo meio e dentro, graças
À voz, outra noção bizarra, fraca ou grossa,

Dependendo do conjunto, corpo e alma
E a faculdade de ouvir, a crença, se de noite
Quando sente ou nota o coração mais,
Se dia, dita perfeita e com fé que haja

Alguém ou algum caminho tal como o meu,
Bizarro, igual a ninguém, apenas a uma
Lembrança que em minha pronuncia há,
Bizarra noção a da palavra escrita,

Magnífica quando nem o entendimento
Entende, quanto mais o coração que
Não soa ao eu poético, mas à razão, bizarra qb
Para ser poesia e ilusão de pertencer a gente

Duma bizarra nação, a da palavra ?ditada-
-Por-mim? ?







Joel Matos (02/2017)




https://namastibet.wordpress.com
http://joel-matos.blogspot.com





Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=353074